Bancos não se manifestam e greve segue forte em todo o país

A greve nacional dos bancários continua ganhando força diante da intransigência dos bancos públicos e privados que se recusam a negociar com a categoria em greve há oito dias. Agora já são 8.328 agências com as atividades paralisadas em 26 estados e no Distrito Federal. "Os bancos estão agindo de forma irresponsável ao permanecerem em silêncio e ignorarem a disposição dos bancários para retomar o processo de negociações", afirma em nota o Comando Nacional dos Bancários.
Para o comando, a culpa da greve é dos bancos, que não apresentaram uma proposta decente às reivindicações da categoria. Ao contrário, as instituições financeiras ofereceram aos trabalhadores aumento real de apenas 0,56%, enquanto que o lucro deles subiu, em média, no primeiro semestre deste ano, 20,11% em relação ao mesmo período do ano passado.
"A nossa disposição é de ir para mesa de negociação para discutir uma proposta decente para a categoria. Estamos abertos ao diálogo", reafirmou o coordenador da Comissão Executiva de Empregados da Caixa(CEE/Caixa) e diretor vice-presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira,
O Comando Nacional dos Bancários permaneceu de plantão nesta terça-feira, 4 de outubro, para retomar as discussões e a Contraf-CUT enviou carta à Fenaban manifestando o interesse da categoria em dialogar, mas os bancos mantiveram o silêncio.
A greve nacional foi deflagrada no dia 27 de setembro. A categoria reivindica reajuste de 12,8% (aumento real de 5% mais inflação do período), valorização do piso, maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR), mais contratações, extinção da rotatividade, fim das metas abusivas, combate ao assédio moral, mais segurança, igualdade de oportunidades, melhoria do atendimento dos clientes e inclusão bancária sem precarização.
Leia na íntegra a nota do comando:
Nota do Comando Nacional dos Bancários
Silêncio dos bancos amplia greve nacional dos bancários
"Os bancos estão agindo de forma irresponsável ao permanecerem em silêncio e ignorarem a disposição dos bancários para retomar o processo de negociações. Essa postura das instituições financeiras irá ampliar ainda mais a greve nacional da categoria, que completa nesta terça-feira (4) oito dias de paralisações em bancos públicos e privados em todos os 26 estados e no Distrito Federal.
Desde segunda-feira (3), o Comando Nacional dos Bancários esteve reunido em São Paulo avaliando a paralisação, o que foi amplamente divulgado pela imprensa. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) também enviou uma carta à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), comunicando que os integrantes do Comando Nacional estavam de plantão, na capital paulista, aguardando a retomada das negociações.
No documento, foi cobrado o compromisso público assumido pela Fenaban em pronunciamento divulgado na última quinta-feira, dia 29 de setembro, onde promete "disposição em dar continuidade às negociações com as representações dos bancários". Entretanto, nenhuma negociação foi marcada até agora, contradizendo o discurso dos bancos para os bancários, os clientes e a sociedade brasileira.
A intransigência dos bancos aumenta ainda mais a insatisfação da categoria e incentiva o crescimento da greve em todo Brasil. Os bancários rejeitaram o reajuste de 8%, que representa apenas 0,56% de aumento real, e reivindicam 12,8% (5% de aumento real mais inflação do período), valorização do piso, maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR), mais contratações, fim da rotatividade, combate ao assédio moral, fim das metas abusivas, mais segurança, igualdade de oportunidades, melhoria do atendimento aos clientes e inclusão bancária sem precarização, dentre outros itens.
As reivindicações são justas, principalmente em face dos lucros estrondosos dos bancos nos últimos anos. Somente nos primeiros seis meses de 2011, as maiores instituições acumularam R$ 27,4 bilhões. É um dos setores mais rentáveis de economia e tem a obrigação de valorizar seus funcionários, gerar empregos, distribuir renda e contribuir para o desenvolvimento do país.
Os bancários reiteram que permanecem abertos ao diálogo e manifestam a disposição para a retomada imediata das negociações com a apresentação pelos bancos de uma proposta decente que venha a atender as reivindicações da categoria.
A culpa da greve é dos bancos. Os bancários querem respeito, dignidade e compromisso com o Brasil e os brasileiros."
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