Crise capitalista e os trabalhadores aposentados
Quem provoca a crise e quem paga?
O sistema capitalista tem no seu DNA o lucro e a ganância, o enriquecimento a qualquer custo, baseado na exploração do homem e na destruição do meio ambiente. No surgimento e desenvolvimento industrial era comum mulheres e crianças trabalharem em tecelagens período de 16 ou 18 horas por dia em condições insalubres, sem ventilação, sem iluminação e sem nenhuma proteção.
Uma empresa capitalista não tem função social, humana ou humanitária. Não é uma entidade filantrópica e nem sistema de cooperativismo. Não ta nem ai para quem adoece e morre, conta com exército de mão de obra á espera de uma vaga. Se puder aumentar o ritmo de produção até o extremo ela faz.
A relação com a natureza é como se os recursos naturais fosse inesgotável e pudesse sofrer todo tipo de agressão. Por exemplo, nasci e vivi minha infância e adolescência numa região de mineração de carvão em Guatá – Lauro Múller-SC, pescava e nadava nos rios, existiam várias minerações de carvão nas proximidades dos rios, onde despejavam em seus leitos os rejeitos do produto, acabando com tudo, levando décadas para sua recuperação até hoje.
Meu pai era mineiro, como são chamados os trabalhadores em mineração, eu levava almoço para ele e para outros, muitos morreram soterrados por desmoronamento e por explosão de dinamites e os casos de doença pulmonar era comum. Os que ainda vivem podem confirmar. Não existia fiscalização e controle. Para os donos das mineradoras que não moravam na região o que interessava era o lucro.
Houve mudanças a partir da década de 1970 com a introdução de tecnologia e a organização dos trabalhadores.Ao completar 18 anos de idade fui "ganhar o mundo" como se dizia naqueles tempos, e tracei viagem para São Paulo. Lá, morei com tios. Meu primeiro emprego foi na Metalúrgica Carfríz, localizada em Piraporínha, na cidade de Diadema. Empresa de auto peças, trabalhei no setor de polimento , a poeira não acabava mais. Eu levava uma hora no banho e ainda saia sujo. Cito esse exemplo, para lembrar a experiência de muitos trabalhadores aposentados nos diversos ramos de atividades. Aposentados que trabalharam e viveram dignamente. Participaram ativamente de movimento sindical, popular e de partidos políticos, pessoas que dedicaram suas vidas na construção de uma sociedade justa e solidária.
O capitalismo é gerador de desigualdades sociais, marcado por preconceitos, discriminações, machismo e exclusão social.
No final da década de 80 e nos anos 90, iniciou-se o predomínio da globalização neoliberal que se fortaleceu com o colapso da União Soviética. Neste momento, também começa a aparecer os sinais de crise. Na virada do século 21, principalmente a partir de 2007 o capitalismo neoliberal entra em crise nos países centrais e se espalha para os países que seguiram econômica, política e ideologicamente a cartilha neoliberal. Mais uma vez, em 2011 o capitalismo chegou a uma situação de impasse mundial, onde nenhum país está livre desta crise.
Como sempre jogam toda a desgraça nas costas dos trabalhadores e aposentados pagando com desemprego, redução de salário e retirada de benefícios, jogando o povo na miséria, como ocorre na Grécia, Estados Unidos, Alemanha, Espanha e outros. Os trabalhadores e aposentados de vários países vem respondendo a crise com muita mobilização, greve geral, protestos e manifestações. O momento é de construir a união da classe trabalhadora e dos aposentados. Não podemos aceitar mais sacrifícios, exigimos mais investimentos na saúde, na educação e na habitação, com geração de emprego, reforma agrária e distribuição de renda.
Acabar com os juros altos que só interessa aos parasitas do capital financeiro e combater o neoliberalismo é tarefa também dos trabalhadores e dos aposentados para geração de empregos, crescimento econômico, ampliação e fortalecimento do mercado interno, valorização do salário mínimo e dos aposentados, mais direitos ao nosso povo, um Brasil mais justo e solidário.
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