Aposentados: Logrados de novo
Ainda não será em 2012 que os aposentados com ganhos acima de um salário mínimo vão ter aumento real. A categoria foi lograda de novo. Sob argumento de que a crise mundial exige economia nos gastos públicos, o governo autorizou apenas o repasse da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). As promessas de início de recuperação das perdas acumuladas nos governos FHC e Lula, feitas ao longo do ano, foram ignoradas. Com base nisso, o Ministério da Previdência anunciou na última sexta-feira reajuste de somente 6,08%. É até menos que a inflação oficial de 2011, que fechou em 6,5%. O aumento já está em vigor e será pago no começo de fevereiro, gerando impacto de R$ 7,6 bilhões na folha do INSS. Naturalmente, a decisão desagradou os representantes da categoria, que pediam reposição de 12%. O estrilo é procedente. Os cerca de nove milhões de aposentados e pensionistas que mais de um mínimo vêm tendo os vencimentos continuamente achatados.
Piso mínimo
Cálculos da Federação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (Cobap) apontam que, com o passar do tempo, a regra empurrará a maioria para o piso do salário mínimo. É um critério injusto com quem durante uma vida inteira de trabalho recolheu ao INSS para ter aposentadoria maior. A Cobap não aceita o argumento do Planalto de que não há dinheiro e aponta que, ainda no final do ano passado, o governo abriu mão de receitas para beneficiar micro e pequenas empresas no Simples Nacional e estimular as vendas de Natal. A renúncia, só em 2012, será de R$ 25 bilhões. Com base nesses e outros argumentos, a entidade ainda tenta reabrir negociações. Mas dificilmente vai melhorar o quadro para este ano. Se conseguir, será para 2013.
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