Fenaban propõe reajuste de 7,8%, considerado insuficiente. Bancários podem deflagrar greve a partir de 27 de setembro

Por não contemplar as reivindicações da campanha salarial de 2011, o Comando Nacional dos Bancários considerou insuficiente a proposta global apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), durante mesa de negociação realizada nesta terça-feira, dia 20 de setembro, em São Paulo (SP).
Como a proposta dos banqueiros consiste em reajuste de 7,8% sobre os salários e as demais verbas salariais, que apenas representa 0,37% de aumento acima da inflação medida pelo INPC dos últimos 12 meses, o Comando Nacional orienta os sindicatos de todo o país a realizarem assembleias nesta quinta-feira, dia 22 de setembro, para rejeitar essa proposta rebaixada, deflagrando uma greve nacional por tempo indeterminado em todas as instituições financeiras públicas e privadas, a partir do dia 27 de setembro, terça-feira da próxima semana.
O que a Fenaban levou para a mesa com o Comando Nacional, reajuste de 7,8%, foi visto como provocação à categoria bancária. A campanha salarial 2011 reivindica reajuste de 12,8$ no salário, equivalente à inflação do período mais aumento real de 5%, e R$ 545 para cada uma das verbas salariais.
A proposta dos banqueiros também não prevê valorização do piso da categoria, com correção também pelo índice de 7,8%, passando dos atuais R$ 1.250 para R$ 1.347,50. Os valores propostos pelos bancos continuam muito abaixo da reivindicação dos bancários, que é o salário mínimo do Dieese, calculado em R$ 2.297,51 em junho deste ano.
Em relação à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), os banqueiros pretendem aplicar a mesma fórmula do ano passado, com reajuste de 7,8% sobre a regra básica e a parcela adicional. No quesito da PLR, a categoria cobra o pagamento de três salários mais R$ 4.500, além do fim do desconto dos programas próprios de remuneração variável.
A ausência de medidas de proteção e geração de empregos também consta na proposta da Fenaban, não garantindo ainda o fim da rotatividade e das demissões imotivadas, assim como a ampliação das contratações para melhorar as condições de trabalho e o atendimento aos clientes.
Também não foi apresentada nenhuma proposta de criação de Plano de Cargos e Salários (PCS) em todos os bancos, mantendo assim as distorções salariais e a falta de valorização e ascensão profissional para todos os bancários.
Na rodada com os banqueiros, o Comando Nacional reafirmou que, além dos avanços econômicos (aumento real de salários, melhoria na PLR e elevação dos pisos), os bancários exigem melhores condições de trabalho e preservação da saúde, com foco, principalmente, no fim das metas abusivas e no combate do assédio moral, além de medidas relativas à segurança bancária, com inclusão na Convenção Coletiva de Trabalho de cláusulas sobre o transporte de numerário por bancários e o monitoramento eletrônico das agências.
No tocante à segurança bancária, a representação dos trabalhadores cobrou a instalação de biombos para garantir privacidade aos clientes e coibir o crime de "saidinha de banco". As demais propostas de segurança da campanha salarial 2011 também não foram contempladas, sendo que os banqueiros propõem ainda reuniões semestrais da mesa temática sobre segurança bancária, o que foi rejeitado pelos bancários, que defendem reuniões trimestrais, a exemplo das demais mesas temáticas.
A proposta da Fenaban prevê ainda que o acompanhamento do programa de promoção da igualdade de oportunidades seja incluído na pauta das reuniões trimestrais da mesa temática. Os bancários, por outro lado, cobraram a imediata realização de um novo Mapa da Diversidade, negado pelos bancos, que aceitam apenas o estabelecimento de um prazo de cinco anos entre as pesquisas.
Ficou definido que a mesa temática sobre terceirização será retomado, com periodicidade trimestral. Um dos objetivos é dar continuidade ao debate da questão dos call-centers. .
Reivindicações da categoria bancária
Reajuste salarial de 12,8%, piso igual ao salário mínimo do Dieese, PLR de três salários mais R$ 4.500 fixos, aumento para R$ 545 dos valores do auxílio-refeição / cesta-alimentação / 13ª cest-alimentação / auxílio-creche/babá, previdência complementar para todos, proteção à saúde do trabalhador (combate às metas abusivas, ao assédio moral e à falta de segurança), medidas para proteger o emprego (garantia contra demissões imotivadas, reversão das terceirizações e fim da rotatividade e jornada de trabalho de seis horas para todos os bancários), mais contratações para amenizar a sobrecarga de trabalho e acabar com as filas, melhorando o atendimento ao público, e Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS) em todos os bancos.
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