Plantão de Notícias

19/02/2010

Fonte:

Folha de S.Paulo


Fundos: Petrobras terá capitalização em junho

Doze bancos de investimentos trabalham para levantar US$ 50 bilhões para a estatal financiar investimentos no pré-sal 
Captação da Petrobras deve ser a maior já feita com venda de ações no mundo; operação ainda depende de aprovação do Congresso 
Bancos de investimento nacionais e estrangeiros se preparam para levantar cerca de US$ 50 bilhões em dinheiro novo ainda em junho para a Petrobras. A operação, que depende de autorização do Congresso, deve se tornar a maior captação de recursos do mundo por meio da venda de ações. 

O volume que será levantado nos mercados globais tem por base o preço de US$ 5 o barril, o piso do intervalo estabelecido pelo governo, e que tende a ser confirmado pelos consultores independentes. Esse preço é uma estimativa de quanto valeria, em valores atuais, o petróleo que será extraído no futuro (daqui a 15 ou 20 anos) na camada de pré-sal. A parte do governo na capitalização será dada por meio da cessão de 5 bilhões de barris desse petróleo. 

Segundo os bancos de investimento, não está descartada a possibilidade de que o valor fique pouco abaixo de US$ 5 o barril, aumentando a atratividade do investimento e facilitando a captação de recursos. 

Junto com o aporte do governo, estimado em US$ 25 bilhões se o petróleo ficar em US$ 5 o barril, a capitalização da Petrobras pode atingir US$ 75 bilhões, superando o aumento de capital de US$ 19 bilhões do Bank of America em 2000 e a abertura de capital do chinês ICBC (Banco Industrial e Comercial da China), de US$ 19,1 bilhões em 2006. 

Os recursos vão para a exploração das reservas de petróleo na camada de pré-sal, cujas estimativas motivaram o governo a rever o marco regulatório do setor, privilegiando a estatal e a União, dona das reservas. 

Na operação, participam 12 dos principais bancos de investimento de alcance global, que têm o Banco do Brasil como uma espécie de "líder informal" do grupo devido à sua proximidade com o governo. Os líderes definitivos da operação, no entanto, só serão escolhidos após a aprovação no Congresso e o desenho final da capitalização. 

Esses bancos já iniciaram as consultas aos principais clientes institucionais, a maioria fundos de pensão e de investimento nacionais e estrangeiros, para saber se eles deverão aportar recursos novos para manter sua participação na estatal. Isso porque os atuais acionistas, incluindo a União e os trabalhadores que compraram ações por meio do FGTS, têm preferência na hora de comprar os papéis. O acionista que decidir não "acompanhar" a oferta de ações poderá vender seu direito para um terceiro. 

Trata-se do negócio mais importante do ano para os bancos de investimento com presença no Brasil. Os honorários desses bancos devem bater em US$ 100 milhões cada um, dependendo do montante que conseguirem trazer para a Petrobras. O valor equivale às receitas de um ano de trabalho das respectivas áreas desses bancos. 

Cronograma 
Junho é a data limite para fazer uma captação desse porte nos mercados internacionais, pouco antes das férias de verão no Hemisfério Norte, que vão até setembro. Para atingir a meta, a aprovação do projeto de lei no Congresso, que tramita em regime de urgência, precisa ocorrer até abril. 

Se algo der errado, a capitalização só poderá acontecer em setembro, um mês antes da eleição presidencial, período sujeito a turbulências nos mercados. A Câmara deve analisar o assunto nos próximos dias 2 e 3 de março. 

Segundo a Petrobras, a capitalização ainda não tem uma data acertada nem foi definido o valor do barril de petróleo que será utilizado para desenhar a operação. 

"Somente depois da aprovação pelo Congresso será possível definir uma data para a operação. A estimativa é que, em até 90 dias após aprovado o projeto, a capitalização esteja concluída. Não existe ainda valor estimado para o barril", afirmou, em nota, a assessoria da estatal. 

A Petrobras afirma ainda que a União não definiu as áreas de exploração de petróleo que serão cedidas à estatal. "Somente após isso as certificadoras poderão estimar o valor do barril. E depois a Petrobras e a União irão negociar o valor", informou.   (TONI SCIARRETTA)


 
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