Técnico ligado ao PMDB assume órgão que audita fundos de pensão
Nomeação de José Maria Rabelo alimenta rixa entre sigla e petistas
Novo xerife dos fundos de pensão, o ex-funcionário do Banco do Brasil José Maria Rabelo assume hoje a Superintendência Nacional de Previdência Complementar em meio a briga entre petistas ligados a entidades de previdência e o PMDB.
Sua nomeação alimentou a rixa nos bastidores por cargos no segundo escalão e desencadeou denúncias contra ele de suposto desvio ético em seu período no BB.
Com perfil considerado excessivamente técnico, substituirá Ricardo Pena Pinheiro, auditor fiscal da Receita que atua na área desde 2003.
A indicação feita pelo ministro Garibaldi Alves (Previdência), do PMDB, irritou os petistas que queriam maior controle sobre a secretaria. O cargo é cobiçado politicamente diante da magnitude dos recursos envolvidos.
A Previc fiscaliza fundos fechados de previdência complementar, como Previ (BB), Funcef (Caixa Econômica) e Petros (Petrobras). Ao todo são 369 entidades que gerem R$ 516 bilhões.
Apadrinhado pelo ministro Moreira Franco (Assuntos Estratégicos), Rabelo não teve dificuldade de ser aprovado no Planalto por conta de seu perfil técnico.
Mas opositores à sua indicação, incluindo alas do BB, levantaram um episódio de 2008 considerado antiético por executivos do banco, embora não tenha ferido a lei.
Naquele ano, Rabelo, então vice-presidente de Negócios Internacionais do BB, embolsou cerca de R$ 1 milhão por conta de um prêmio financeiro destinado a executivos que vão se aposentar.
Mas, em vez de sair do banco, voltou no dia seguinte para a mesma função. (LEONARDO SOUZA e SHEILA D AMORIM)