Plantão de Notícias

15/03/2011

Fonte:

Estado de Minas


Avanço da terceirização

No Brasil, há hoje 8,2 milhões de empregados em empresas prestadoras de serviços especializados
A prestação de serviços terceirizados e temporários tem demonstrado todo seu potencial na inserção de trabalhadores formais no mercado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a atividade, entre 2003 e 2010, liderou o avanço das vagas formais (crescimento de 36,5%). Só a terceirização empregou mais de 1,5 milhão de pessoas entre 2009 e 2010. Há no Brasil, hoje, 37 milhões trabalhadores formais – vale dizer, com carteira assinada. Destes, 22,2% do total – 8,2 milhões – são trabalhadores empregados em empresas prestadoras de serviços especializados. Além disso, o segmento abriga hoje cerca de 68% de seus trabalhadores com carteira assinada, percentual que superou o da indústria, sendo esta considerada a atividade que mais formaliza seus empregados. No passado, contratou diretamente com carteira 66,7% das vagas que ofereceu.

Os números mostram que, mais do que uma tendência, a prestação de serviços especializados é uma realidade no Brasil, uma modalidade que contribui para a formalização do mercado de trabalho, amplia o formal, moderniza as relações de trabalho, agrega eficiência ao processo produtivo brasileiro e, como consequência, eleva a competitividade das empresas nacionais frente aos seus agressivos concorrentes internacionais. Há muito, o trabalho temporário se transformou em porta de entrada para o mercado, sobretudo para os jovens em situação de primeiro emprego e aos mais maduros, que, desempregados há tempos, encontram na atividade um caminho seguro em sua reinserção na vida produtiva em sociedade. No ano passado, a demanda por temporários se situou em média mensal que superou 900 mil pessoas/dia. Não por acaso, o Brasil é o quarto no ranking dessa modalidade, atrás dos Estados Unidos, Japão e Reino Unido.
É nos picos das datas sazonais que esta demanda mais se intensifica, sobretudo no comércio. No Natal, 140 mil vagas foram criadas, com duas características particularmente auspiciosas: quase 40 mil foram efetivados depois das festividades de fim de ano e cerca de 30% dos temporários são jovens que conseguiram seu primeiro emprego. Mas a busca por esses trabalhadores começa nas indústrias muito antes. Levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Manager, a pedido da Asserttem/Sindeprestem, revelou que, desde setembro último, a indústria brasileira do chocolate, a terceira maior do mundo (somente os EUA e a Alemanha fabricam quantidade maior do produto e seus derivados), vem buscando temporários para a Páscoa, outra das datas que mais os demandam. A pesquisa mostra que em 2012 indústria, comércio e serviços voltados para este segmento vão empregar 70 mil pessoas em regime temporário, 10,5% a mais do que o registrado na Páscoa de 2010. Destes, em torno de 22% têm sua primeira experiência profissional e, mais relevante, cerca de 30% serão efetivados passada a sazonalidade da data.

Há uma realidade inequívoca: a prestação de serviços temporários e/ou terceirizados alcançou no Brasil maturidade inquestionável. Hora, portanto, de corrigir distorções inadmissíveis frente aos fatos. Por exemplo, as leis que regulamentam o trabalho temporário estão superadas, dando margens para interpretações dúbias, quando não equivocadas. Quanto à terceirização, o problema é ainda mais grave. Vivemos sob um intolerável vácuo jurídico, que afeta a todos – empresas tomadoras ou trabalhadores. Afeta principalmente as prestadoras de serviços, na sua imensa maioria empreendimentos sérios, pois a ausência de legislação só traz benefícios a poucas empresas inidôneas, cuja ação deletéria prejudica as relações de trabalho e reforça a inaceitável concorrência desleal contra empreendedores idôneos do segmento.

Outra questão que preocupa sobremaneira, e que começa a se tornar um empecilho ao já comprovado potencial do que a prestação de serviços especializados pode fazer para ampliar ainda mais o mercado formal do trabalho, diz respeito à baixa qualificação e à precária formação educacional do trabalhador brasileiro. O problema é comum a praticamente todos os setores da economia. Para nossa atividade, porém, é particularmente inquietante, de vez que nosso diferencial está exatamente na especialização dos trabalhadores. Não é segredo que o país convive há décadas com atrasos que impedem a ampliação da empregabilidade de nossos empregados. Ocupamos a 56ª posição entre os países pesquisados pelo Programa Mundial de Avaliação da Educação (Pisa). Resultado mais evidente: a informalidade no Brasil chega a 40%, ante 16,5% na média de países emergentes, segundo dados do Banco Mundial. O que gera consequência inquietante: mais de 1,7 milhão de vagas de trabalho oferecidas no país em 2009 não foram preenchidas. Estas são algumas das questões que clamam por urgentes respostas para que a prestação de serviços especializados possa seguir sua vocação de alavanca na busca pela ampliação do mercado de trabalho.  (Vander Morales)

 
Voltar
Links de nossos parceiros

APACEF/RJ - Associação dos Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro
Av. Almirante Barroso, 6 - Grupo 403 a 411 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
CEP 20031-000 - Telefax: (21) 2262-5177 / (21) 2220-8137 / 0800 258927