Os bons resultados da economia em 2010 se refletiram também nos salários dos trabalhadores. Balanço do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos (Dieese) mostra que 89% das 700 categorias analisadas em todo o país tiveram aumento real (acima da inflação) no ano passado, o melhor resultado da série histórica em 15 anos. Do total, 96% conseguiram repor a inflação medida pelo INPC/IBGE, resultado ligeiramente inferior a 2007.
Em 2011 porém, o quadro será outro. Com o aumento estimado da inflação, que pode influir de forma negativa nas mesas de negociação, o reajuste menor do salário mínimo e a desaceleração da economia na comparação com 2010, será improvável que os trabalhadores consigam ganhos reais semelhantes, segundo o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira. "O cenário do ponto de vista das negociações será mais difícil, e haverá redução do tamanho dos ganhos na média. Mesmo assim, não há expectativa de que as empresas mudem seus planos ou deixem de investir, e os ganhos continuam em curso. Será um grande desafio para o movimento sindical", explicou.
De 700 acordos analisados, 106, ou 15%, tiveram aumento real acima de 3%. Em 2008, essa faixa correspondeu a 4% das negociações, e em 2009, a 5%.